O poema bocejou, raspou as patas
no tapete, fitou-me com dezprezo.
Saltaria enfim sobre o meu peito?
Era um poema lindo na tarde finda
Tinha pele macia, dentes de marfim.
Ah, tenho ainda a sensação tão doce
e crua, a magnífica visão do animal
estupendo: o poema ali, retesado,
ritmo só, melodia pura, projetado
em pés perfeitos e rimas raras.
Saltaria enfim sobre o meu peito?
O poema apenas se mexeu, raspou
as patas no tapete e adormeceu.