sexta-feira, 4 de março de 2011

De trabalhos e cansaços

Há alguns anos, quando entrei para a Editora Record, imaginei que agora sim, agora meus livros iam deslanchar. Que nada, continuei vendendo umas ninharias. Um livro de contos meu, Logo tu repousarás também fez a gentileza de vender 2 ou 3 exemplares em 3 meses, como já contei aqui. Não que eu queira vender como o Paulo Coelho, mas eu queria receber de direitos autorais o suficiente para pagar um jantar, comprar uma máquina nova de lavar roupas, pagar um final de semana na Serra. Trabalho de segunda a sábado, dando aulas em três locais diferentes, para ter um padrão de vida decente, para dar a minha filha Sofia e a Marta, minha mulher, um pouco de tranquilidade (a outra filha, a Maíra, tem 30 anos e já se vira sozinha), mas ando cansado de trabalhar tanto.

Enfim, bem que eu queria viver de direitos autorais. Sei que não vou conseguir isso, mas não custa sonhar. Na década de 90, cheguei a sobreviver com direitos autorais, e assim tive condições de fazer uma formação superior. Meus livros vendiam muito, estavam bem distribuídos. E aí minha editora praticamente faliu e minhas vendas despencaram também.

Agora, aos poucos, vou recumperando um espaço que já tive.

Quando estive em São Paulo, para o lançamento de Para ser escritor, na Livraria Cultura, o Luiz, da minha outra editora paulista, a Manole, trouxe-me a nova edição de O pêndulo do relógio & Outras histórias de Pau-d´Arco, que foi rodada agora. Extraoficialmente, ele garantiu que esse meu livro vendeu, em 2010, um pouco mais de 15 mil exemplares.

Depois dessas duas boas notícias, a reedição de Para ser escritor e de O pêndulo do relógio voltei a sonhar a trabalhar menos e escrever mais.

Quem sabe em 2012 eu publique meus romances O santo da caveira, Dia de matar porco, O cavaleiro da Ordem da Avenca e Pó-de-mico, Barbicacho e Diabo Loiro? Eles estão lá, no limbo dos livros não publicados, a espera de que eu me anime um pouco. A desilusão com o sistema literário brasileiro tem me feito deixá-los no escuro, esquecidos em meu escritório.

10 comentários:

  1. Se para vc é assim, imagine para mim, um obscuro escritor desconhecido, solitário, com uma estupenda legião de (não-) leitores, e que envia seus originais caprichadinhos para as editoras avaliarem, mas que nem ao menos sabe se aquilo vai para o lixo ainda dentro do envelope da remessa... Pior, não pode ligar para perguntar! Dureza.

    Mas vamos à luta. Cada um em seu momento.

    abço
    Cesar
    SP

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  2. Anônimo4/3/11 05:40

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Carma-ioga

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  3. Minha parte eu tento fazer, comprando um e outro exemplar dos teus livros.
    Agora... que crítica ruim fizeram do Para ser escritor no Rascunho, hein?

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  4. Creio que músicos e outros artistas tem a mesma coisa a dizer a respeito de direitos autorais no Brasil. Isso parece que nunca vai mudar! Mas muda, um dia muda. Assim como teremos ainda mais gente que lê, mais possibilidades, penso. Abraços!

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  5. Nao sei se me alegro ao ler isso ou se me entristeço. Sempre sonhei, "no dia que eu for uma escritora"...SE nem os escritores que a gente considera tanto conseguem viver de livro...quanto mais a gente ilustres desconhecidos...
    Quem sabe um dia chegamos todos lá...Lá onde sonhamos.
    Num pais onde a cultura e os estudos nao sao muito valorizados, não me assombra mais nada!
    Torçamos para o dia em que os artistas e tdos aqueles que promovem a cultura em geral sejam mais valorizados neste país.

    Sinara Foss

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  6. Hoje pela manhã recebi um e-mail da PAVAZINE e ao ver Charles Kiefer na matéria referente a sua entrevista, imediatamente voltei para a infancia e me lembrei de um livro que a muito não vejo - Caminhando na Chuva.

    Entendo tua decepção, porém, o êxito de um escritor nem sempre estará no óbvio.

    Se teus livros não lhe ajudaram a ter uma vida mais confortável, saiba que Caminhando na Chuva ajudou a dar o meu grito de independência intelectual. Descobri que o pensamento jamais poderia ser aprisionado e que eu poderia sim, escolher e experimentar.

    Caminhando na Chuva e suas outras obras podem não ter mudado a vida de milhares de pessoas como Paulo Coelho por exemplo, mas saiba que pelo menos a minha mudou.

    Muito obrigada por isso.

    Abraço da leitora;

    Betânia Diehl

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  7. Caro Kiefer, vamos separar o problema em 2 partes: o mercado literário e o seu cansaço.
    No primeiro caso, falta-lhe mais marketing e menos trabalho brasal; o segundo é reflexo desta melancolia editorial, que não anda, que pouco pulsa o coração. A saída: investir fortemente em marketing editorial, levar teus livros para todo o lugar, reeditá-los como forma de rejuvecimento visual de uma obra ainda jovem que merece mais leitores. Pare de escrever e coloque foco na venda do que já produziu. Tem muita gente que desconhece te trabalho, seja na província de POA, 3 de Maio ou em Piracicaba. abraço, Guto Moisés

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  8. que coisa incrível ouvir isso de um grande escritor....{nem poderia imaginar tamanha crise...}se um famoso, talentoso e renomado escritor do porte de Charles KIefer está reclamando o quê sobrará para os outros, reles mortais....o sr deveria estar na ABL ou pq não se candidatou??? a vaga é gaúcha e os candidatos são três luízes: Luiz Antonio Assis Brasil, Luiz Fernando Veríssimo e Luiz de Miranda e pq não Charles Kiefer???? bjssss

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  9. Não desanima!Este cansaço é natural, todos temos vez ou outra. Mas passa. Com talento e trabalho, chegarás onde mereces. As boas notícias deste incío de ano são apenas o começo. Sorte!

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  10. Não sei se isso vai animar o senhor, mas gosto dos seus livros desde minha faculdade. Mas, sim é verdade, faz tempo que não compro um... Vou procurar na livraria e espero encontrar em breve os livros do limbo por lá!

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