terça-feira, 26 de outubro de 2010

Escrever e ler, uma relação de causa e efeito

Na segunda-feira, estive na cidade de Barra do Ribeiro, fazendo palestra para jovens da Escola Carlos Pinto de Albuquerque. E, nesta escola, como em tantas outras que tenho visitado, me susprendi com o número de alunos que acompanham este blogue. Várias das perguntas que me fizeram saíram diretamente das leituras dos textos que tenho postado aqui.

Este é um fenômeno que já começamos a sentir na Universidade. Ao menos eu o sinto em minhas aulas de Escrita Criativa, na PUC. De quatro semestres para cá, tenho observado uma melhoria significativa no texto de meus alunos. Há duas semanas fiz uma prova, e que, no meu caso, são sempre dissertativas. E nunca dei tanta nota máxima quanto agora. Não que eu tenha mudado. Continuo chato e exigente como sempre. Meus alunos é que chegam à Faculdade de Letras com maior competência linguística, com melhor nível de raciocínio. E onde eles estão aprendendo a escrever? Na blogosfera.

Sugestão aos professores de ensino médio: incentivem os seus alunos a frequentar e manter blogues. Esta é uma ferramenta de autoaprendizado muito importante. Insistam menos na necessidade de leitura e invistam mais na escritura. Ao compreender as enormes dificuldades que se apresentam àqueles que desejam escrever, os alunos, inevitavelmente, lerão mais. É uma relação de causa e efeito. Nem sempre a leitura gera vontade de escrever, mas escrever sempre gera vontade de ler mais e melhor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Minhas participações nesta Feira do Livro de Porto Alegre

01/11/2010
Hora: 19:00

Título do evento: Literatura policial - crimes e ficção

Local: Auditório Barbosa Lessa - CCCEV - Área Geral

Participantes: Gustavo Machado, Paulo Wainberg, Carina Luft, Mediação de Charles Kiefer

O gênero policial debatido por vários escritores



02/11/2010

Hora: 18:00

Local: Memorial do RS - Térreo - Sessões de Autógrafos

Participantes: Charles Kiefer (org.)

Obra: Outras Mulheres

Editora: Palmarinca e Dublinense


05/11/2010
Hora: 19 :00
Local: Praça de Autógrafos - Praça da Alfândega - Sessões de Autógrafos

Participantes: Charles Kiefer

Obra: Para ser escritor


06/11/2010
Hora: 19:00

Título do evento: Ciclo Fahrenheit 451: Charles Kiefer é Nós, de Yevgeny Zamyatin

Local: Sala Leste - Santander Cultural - Área Geral

Participantes: Charles Kiefer

Inspirado em Fahrenheit 451, do mestre da ficção científica Ray Bradbury, o ciclo lembra a história em que, num futuro totalitário, os livros seriam proibidos e queimados. Graças a uma comunidade de homens-livros, publicações são decoradas e retransmitidas. A cada dia, um convidado especial passa a ser um livro, dividindo-o com o público.

Para ser escritor (convite)

Há mais de três décadas, no dia 05 de novembro, dia do meu aniversário, autografo na Feira do Livro de Porto Alegre.

Neste ano, autografarei Para ser escritor, meu novo livro, que reúne textos sobre a atividade de escrever, a vida literária, o sistema literário etc.

Convido aos meus seguidores do blog que apareçam por lá, no Pavilhão Central de Autógrafos, no dia 05 de novembro, às 19h.

Alguns seguidores de outros estados me escreveram, dizendo que procuraram meu livro em livrarias e não o encontraram. É que ele sairá da gráfica no dia 28 de outubro. Em novembro, a Editora Leya já o terá distribuído em todo o país.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mudança

Diante do pouco interesse pela leitura de "A poética do conto" decidi parar de publicar o livro aqui. Quem o quiser em arquivo word é só me escrever e eu remeto por e-mail.

Escreva-me para charleskiefer@uol.com.br e lhe enviarei gratuitamente o arquivo.

Abraço,

CK

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os maias e 2012

Maias, astecas e outros povos antigos faziam observações astronômicas impressionantes, pela acuidade e precisão. Rir do que não compreendemos não comprova a falta de “ciência” dos antigos, mas revela os nossos próprios preconceitos e platitudes.

O calendário maia termina em 21 de dezembro de 2012. Neste dia, para este antigo povo a Terra cumprirá mais um ciclo. Desta observação astronômica, alguns, “apocalípticos” – como diria Umberto Eco –, extraem a certeza de que o mundo irá acabar daqui a dois anos.

Para os maias – e para antigas tradições esotéricas –, em 2012 teremos, nas proximidades do sistema solar, a presença de um corpo celeste gigantesco, seis vezes maior que Júpiter, que passará a 500 mil quilômetros da Terra (em sua órbita que dura exatos 25.968 anos). A força gravitacional que ele exercerá sobre o nosso planeta, e sobre todo o sistema solar, gerará problemas significativos aqui em baixo.

É por isso que o calendário maio termina no dia 21 de dezembro de 2012. Depois desta data suas observações astronômicas cessam. Outro povo talvez seja capaz de fazer as previsões astronômicas para os próximos 25.968 anos.

Você, como eu, é cético a respeito disso? Então, a partir de maio de 2011, teremos (ou não) uma prova “científica” a respeito do retorno de Hercólobus, Nabiru, Nêmesis, Barnard´s Star (ou qualquer outro dos muitos nomes que já se deu a esse planeta nômade): como se fosse um “segundo Sol”, o planeta-viajante estará visível a olho nu aqui da Terra.

Sem telescópios, poderemos ver (ou não) a Estrela Baal (era assim que os maias o chamaram) viajando com sua massa colossal e provocando aqui em nossa terrinha fenômenos espantosos, a respeito dos quais prefiro não falar.

Insisto, e espero, que o nosso preconceito, a nossa jactância, a nossa pouca fé tenha razão e tudo isso não passe de fantasia, de misticismo, de neurose. Se assim for, no dia 21 de dezembro de 2012 estarei lançando, com meus queridos alunos e alunas de oficina, um novo livro de contos. Se o mundo não estiver caótico demais, venha ao lançamento comemorar a ignorância dos maias.

Agora, se em maio de 2011 pudermos ver, a olho nu, esse “segundo sol” sobre nossas cabeças, vamos nos organizar e construir uma nova arca de Noé. Ou quem sabe, uma nave espacial para fugirmos daqui.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Liberação de "A poética do conto"

A cada dia, mais eu sinto a vontade de disponibilizar a minha obra na internet. Não fossem os meus contratos com as editoras que me publicam, lançaria tudo aqui, para quem quisesse ler, gratuitamente.

Nunca vivi de direitos autorais, nunca vendi tanto a ponto de viver de direitos autorais. Em certo período, entre 92 e 98, fiz um acordo com Roque Jacoby, meu antigo editor. Ele me pagava o salário (que eu tinha quando era funcionário da editora Mercado Aberto) e eu ficava em casa, escrevendo e estudando. Foi o período em que pude fazer faculdade, escrever vários livros, viajar por muitos lugares. Meu compromisso era apenas o de entregar a Mercado Aberto todos os meus livros. Depois, com o declínio econômico da editora, esse arranjo se desfaz. Aceitei um cargo público, de Coordenador do Livro e Literatura da SMC de Porto Alegre, e abandonei a carreira literária. Praticamente não escrevi, não publiquei. E naufraguei, literariamente falando. Seis anos depois, recomecei tudo, publicando pela Ática, pela Record, pela Manole. Mas as vendas de meus livros caíram vertiginosamente. E continuam caindo. Hoje, o único comprador de meus romances, contos e livros de ensaio sou eu mesmo, que dou os livros de presente aos meus alunos.

Por isso, tomei a decisão: vou publicar aqui, por partes, o meu A poética do conto, na versão integral. A edição da Nova Prova é parcial. Fiz alguns cortes, para retirar da obra o ranço acadêmico. Pois vou recuperar o ranço, publicando tudo aqui.

Os exemplares que eu ainda tinha em estoque (e que nos últimos anos dei de presente aos meus alunos de oficinas literárias) estão se acabando. Tentei fazer uma segunda edição, nenhuma editora se interessou. Como em outros projetos neste blog, o numeral entre parênteses será o guia de leitura.

Quem quiser acompanhar, a primeira postagem será A poética do conto (1). Já antecipo que este texto inicial não consta da edição publicada em livro. É uma espécie de síntese do que a obra contém.